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Água: Tem, mas acabou.

O Governo do Estado de São Paulo, que negou durante meses o racionamento de água, finalmente admitiu: não vai ter água para todo mundo o tempo inteiro na cidade.
Tudo o que a população se acostumou a fazer está com os dias contados. Não vai dar mais para lavar a louça como se a torneira fosse uma miniatura das cataratas do Iguaçu. A mangueira não pode mais ser vassoura – mesmo que seja só para dar um banho de leve no chão de ardósia. O banho é só para tirar o suor e não para resolver uma série de questões de você com você mesmo.
Chegou inclusive a hora da agricultura e da indústria, setores que mais consomem água, trabalharem contra o desperdício.

O despreparo do governo é uma bela oportunidade para uma profunda mudança de hábito. A combinação de água potável com preço baixo não tem futuro. A economia tem de ser para valer. Senão, todos morrerão de sede – ou mudarão de cidade.

 

Veja aqui essa matéria incrível sobre a falta de água em São Paulo.

Por:

Texto
Leandro Beguoci, do Gizmodo Brasil
Design
Hugo Luigi

 

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Primeiro semestre de 2015 foi o mais quente já registrado no mundo

Relatório mostra que a média de temperatura global da primeira metade do ano foi 0,85ºC maior que o normal

Está aberta a temporada de quebra de recordes na temperatura média global. Depois de 2014 bater o recorde de ano mais quente já registrado, 2015 se prepara para ser ainda mais quente. Segundo novo relatório publicado nesta segunda-feira (20) pela NOAA, a agência americana que estuda os oceanos e a atmosfera, a primeira metade de 2015 registrou a maior tempeatura desde o início das medições, há 136 anos.

De acordo com a NOAA, o primeiro semestre do ano foi 0,85ºC mais quente do que a média do século XX. Isso significa a quebra de recordes em quase todos os quesitos. 2015 é, até o momento, o ano mais quente na temperatura em terra, no mar e no Hemisfério Norte. Só fica em segundo lugar na temperatura do Hemisfério Sul – perde para 2010, que foi um ano particularmente quente por aqui.

 

Leia a matéria completa, com mapas, aqui.

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Brasil pode aceitar meta de descarbonização

Proposta de eliminar combustíveis fósseis neste século consta de rascunho da declaração sobre mudança climática que será apresentada nesta quinta-feira por Dilma Rousseff e Angela Merkel

 

Por CLAUDIO ANGELO (OC)

O Brasil pode aceitar uma meta de longo prazo de descarbonizar a economia, eliminando o uso de combustíveis fósseis neste século. A proposta consta do rascunho da declaração bilateral sobre mudança climática que será apresentada nesta quinta-feira (20) pela presidente Dilma Rousseff e pela chanceler alemã Angela Merkel, que chega ao Brasil nesta quarta-feira.

O texto ainda está sendo negociado entre representantes dos dois governos e provavelmente só terá seu conteúdo final acordado na própria quinta. Espera-se que haja compromissos nos setores de florestas, eficiência energética e energias renováveis.

Os alemães trabalham para que a menção à descarbonização seja mantida, o que significaria uma vitória política para Merkel. Afinal, foi a chanceler alemã quem costurou a inclusão desse dispositivo na declaração sobre clima do G7, o grupo dos países mais ricos do mundo, em junho. A meta não basta para evitar que o aquecimento global ultrapasse o limite de 2oC neste século, mas é considerada uma sinalização política importante para direcionar investimentos para uma economia de baixo carbono.

A Alemanha está arregimentando apoios para garantir o sucesso da conferência do clima de Paris, em dezembro, e o Brasil é um país-chave para isso – tanto pelas suas altas emissões quanto pelo fato de ser tradicionalmente um mediador de conflitos entre países ricos e pobres na negociação internacional.

Para o Brasil, aceitar um compromisso de descarbonização significaria admitir pela primeira vez que a era do petróleo – portanto, a Petrobras e seu papel na economia – tem seus dias contados, mesmo que nun futuro distante.

Também consta do rascunho da declaração a menção a um limite máximo para as emissões do Brasil em 2030. Trata-se de uma bandeira do Ministério do Meio Ambiente, que chegou a ser  incluída na declaração conjunta sobre clima assinada por Dilma Rousseff com o premiê da China, Li Keqiang, mas foi tirada do ar minutos depois.

Há resistência de alguns setores do governo a ela. O Ministério de Minas e Energia, por exemplo, é contra a ideia de impor um teto às emissões por conta da expansão do parque gerador de eletricidade – que terá novas termelétricas a gás e carvão mineral –, da frota de veículos e, por último, mas não menos importante, do pré-sal.

A visita de Merkel é a última grande reunião de alto nível de Dilma antes da definição da meta do Brasil para Paris, a chamada INDC (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida). Nos encontros anteriores, com os líderes da China e dos Estados Unidos, também foram produzidos comunicados conjuntos sobre mudança climática. Ambos se comprometem com resultados ambiciosos em Paris, mas o texto com a China carece de compromissos completos; com o presidente dos EUA, Barack Obama, Dilma se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal e a recuperar 12 milhões de hectares, além de metas específicas em energia. Os compromissos, porém, ainda sinalizam baixa ambição.

A ministra Izabella Teixeira defende que a imposição de limites máximos às emissões brasileiras seja incluída na declaração com a Alemanha como sinal de que o Brasil está disposto a avançar em Paris em relação aos compromissos adotados em Copenhague, em 2009, e também como um alerta ao setor de energia de que ele terá um prazo para fazer a transição para o baixo carbono.

Qual seria o limite máximo, porém, é algo ainda em debate.

FONTE: OBSERVATÓRIO DO CLIMA

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40% dos adultos no mundo são “analfabetos climáticos”

São Paulo – A mudança climática é uma ameaça para a humanidade e os ecossistemas naturais, mas um estudo recente publicado na revista Nature Climate Change revela que a consciência pública sobre o problema não é geral. Nada menos do que 40% dos adultos do mundo nunca ouviram falar de mudanças climáticas, segundo a pesquisa.

O contraste na percepção entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento é outro dado que impressiona: na América do Norte, Europa e Japão, mais de 90% do público está ciente da mudança climática, ao passo que em muitos países em desenvolvimento, relativamente poucos estão cientes do problema. No Egito, Bangladesh e Índia, o “analfabetismo climático” chega a atingir 65% da população adulta.

A equipe de pesquisadores também constatou que o nível de educação tende a ser o fator que mais predispõe uma pessoa a desenvolver consciência sobre a mudança climática. No entanto, há diferenças acentuadas entre os países.

Nos Estados Unidos, os preditores chave são o engajamento cívico, acesso à comunicação e educação. Além disso, as opiniões dos americanos também são fortemente afetadas pela política partidária. Mas há poucos dados globais sobre a ideologia política e seu efeito sobre a visão da mudança climática, disseram os pesquisadores.

Enquanto isso, na China, a consciência sobre o problema está mais associada à educação, a proximidade de áreas urbanas e renda familiar. Em geral, observam os pesquisadores, as pessoas na maioria dos países em desenvolvimento percebem as alterações climáticas como uma ameaça muito maior do que as pessoas nos países desenvolvidos.

A pesquisa destaca, ainda, que “melhorar a educação básica, a alfabetização climática e a compreensão do público sobre as dimensões locais da mudança climática são vitais para a participação e apoio social às ações de combate às mudanças climáticas”.

Mais do que falar sobre os riscos mundiais, para sensibilizar a opinião pública é preciso destacar os riscos que as mudanças climáticas representam para um país e até mesmo para as cidades.

Para realizar este estudo, os pesquisadores utilizaram dados de uma pesquisa da Gallup World Poll, com 119 países, feita entre 2007 a 2008.

Fonte: Revista EXAME 

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Uma corrida social na área do clima

Ainda no começo desta semana, a Sabesp admitiu (Folha de S.Paulo, 3/8) que, por decisão da Agência Nacional de Águas e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), terá de reduzir em 31% a retirada de água do Sistema Cantareira enviada para a Grande São Paulo entre agosto e novembro – em novembro, a captação deverá chegar a apenas 10 mil litros por segundo, a mais baixa nas últimas décadas.

O Tribunal de Haia determinou (Corporate Knights, 31/7) que os governos ajam com maior presteza em sua obrigação de proteger os cidadãos dos efeitos das mudanças climáticas, que não dependem de um único país. Devem, para isso, baixar em pelo menos 25% (sobre as de 1990) as emissões de poluentes que intensificam essas mudanças. Essa possibilidade de compromissos que se estendam a todos os países tem sido muito discutida em fóruns internacionais (Principles on Global Climate Change, 1/3).

Há fortes razões para isso em toda parte. No Brasil mesmo, o respeitado cientista Paulo Nobre tem lembrado (67.ª reunião da SBPC) que o déficit de chuvas no Sudeste em 2014, segundo pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), gerou a maior seca em 70 anos. O aquecimento da atmosfera desde 1945 é uma das causas, inclusive no Norte e no Nordeste. Outro cientista, Antônio Donato Nobre, pesquisador do Inpe e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, diz que esse bioma tem sido responsável pela manutenção de clima ameno no “coração da América do Sul”, mesmo onde a vegetação foi suprimida, como na mata atlântica do Sudeste. Mas poderão acontecer “estiagens abruptas”, como em 2014. Um dos motivos centrais é o desmatamento da Amazônia do Brasil (762.279 km2 em 40 anos e, se somadas as áreas degradadas, serão 2.062.279 km2). Por isso, diz ele, é fundamental criar e aplicar uma “estratégia contra a ignorância”; cessar imediatamente o desmatamento; abolir o uso do fogo; recuperar florestas; e conscientizar governantes.

Num panorama tão inquietante, é quase inacreditável conferir os números da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes, setembro de 2013) segundo os quais as perdas de água tratada em nossas redes de abastecimento estão por volta de 40%, com algumas cidades (no Amapá) chegando a 75%, ante 21% na capital paulista (a que mais as reduziu). E vamos no País com pouca água, perdendo água. Na coleta e tratamento de esgotos o problema é ainda mais grave, com dezenas de milhões de domicílios sem ligação com a rede coletora. E com o tratamento do que é coletado processando uma fração ainda muito menor.

Os problemas são fortes também nas áreas rurais, com a agricultura usando 75% da água (professor Ladislau Dowbor, 18/5), ante 15% na indústria e 10% no abastecimento domiciliar – mas cada pessoa precisando de 2 mil litros de água por dia para produzir e processar seu alimento. Estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) afirma que 14,5% das emissões que agravam o problema do clima provêm da pecuária. Mas a produção de alimentos também participa. A expansão do desmatamento em áreas para expandir pastagens ou culturas é um agravante considerável.

Pesquisas da revista Nature Climate Change disseram que 90% das pessoas na Europa, no Japão e na América do Norte estão conscientes do problema, enquanto 40% dos adultos nos “países pobres” em 119 países “nunca ouviram falar de mudanças climáticas”.

Teremos de avançar muito por aqui. Guarulhos, na Grande São Paulo, por exemplo, despeja quase toda a sua carga de esgotos sem tratamento no Rio Tietê. Um projeto conjunto estadual e municipal (Córrego Limpo) para baixar a poluição no Tietê e no Pinheiros prevê tratar 40 córregos afluentes por ano e a despoluição total de 300 em dez anos. Mas está paralisado (Folha de S.Paulo, 3/8). E no Rio de Janeiro, com queda nos royalties do petróleo, reduziram-se em 64% as verbas para o setor.

De qualquer forma, é preciso correr, principalmente na ação de governos em todos os níveis. Mas também dos cidadãos. É decisivo começar no plano nacional, pela dramática questão do desmatamento e degradação da Amazônia, assim como nos planos nacionais para água e saneamento. Depois, pelos planos macrodiretores que englobem todos os municípios de uma região e permitam, por exemplo, recuperar as condições dos cursos de água em toda a sua extensão, desassoreá-los. Nas grandes cidades, não se tem cuidado do problema da formação de ilhas de calor em áreas densamente povoadas e verticalizadas. Elas atraem mais chuvas e agravam a situação das áreas totalmente impermeabilizadas – onde a água não consegue se infiltrar e provoca inundações, já que as redes de drenagem, insuficientes, ainda vivem entupidas por sedimentos e precisam ser cuidadas e ampliadas. Os sistemas de licenciamento têm de estar atentos a esses problemas e cobrar soluções específicas.

Na área industrial, não se pode deixar de exigir tratamento localizado dos efluentes, assim como propostas para reduzir as emissões de poluentes na atmosfera. E, nos licenciamentos para construções em áreas residenciais, exigir em cada imóvel sistemas de captação de água de chuvas nos tetos; armazená-la em reservatórios para uso posterior ou descarga; e manter em cada imóvel uma porcentagem do terreno não impermeabilizada. O sistema educacional precisa transmitir aos alunos em todos os níveis as informações essenciais. E estes precisam debater com seus pais.

Nada disso é devaneio radical. Basta ver o que acaba de decretar nos EUA o presidente Obama para reduzir as emissões nacionais de poluentes.

Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo por Washington Novaes. Veja aqui.

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